quarta-feira, 4 de julho de 2012

Crise de Identidade

E a fila não anda.
Sentado, vagueando
Por momentos minúsculos.
E a fila manda
Nos meus desejos
De sair daqui.
Daqui de onde?
Ninguem responde.

Ouço chamar
Milhões de nomes.
Nenhum me é estranho
Mas nenhum é meu.

Aconteceu
Que não me reconheço.
Antes era gente.
Era.
Agora sou pedra
E pedra não se chama.
Por isso fico,
Encrustado
E só isso.

A pedra some
E fica o vulto.
Espectro da espera.
Um papelzinho verde
Com uma fotografia.
Só mais um
Dos tantos uns
De todo dia.

Pedro Vargas

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