segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Paladar

A minha língua é cheia de poesia
Em cada papila
Em cada palavra

A minha língua é perfeita
É complexa, é difícil
Em todos os sentidos
Não é língua para qualquer um
Nem de se vender assim à toa
Não há outro paladar que eu queira

Só o meu dialeto, o meu sotaque
Têm esse gosto perfeito de língua
Esse sabor lindo
De sentir as palavras saindo
De ouvir-se palavras entrando
Sabores que não se esquece
Que, se distantes
Deixam saudade

Pedro Vargas

sábado, 28 de novembro de 2009

As Cores do Mundo

O mundo é colorido, meu bem
Aproveite as cores que o mundo tem!
Veja o verde que verdeleja por aí
E o amarelo que se mete,
Tão amarelo, no meio de tudo
Sem qualquer cerimônia
O azul que tinge o dia
O cinza que, de tão sem cor,
Se faz importante colorificador
Assim como chupar uma laranja
Antes de provar o doce do doce
Veja que o mundo preto e branco
Não seria tão mundo, como a gente sente
Veja que as coisas só são as coisas
Porque são coloridas
Senão a abóbora não seria abóbora
Muito menos a beterraba ou o vinho
Veja que as rosas são vermelhas
Veja o branco das nuvens e o sol da manhã
Veja o que não tem cor
Porque aquilo é cor
Apesar de não ver-se assim, colorido
Veja o que é som
Porque o som é colorido também
Ou não percebeu?
Que a cor do som é tão colorida
Que pede pra ser vista
Veja, por favor VEJA!
Porque o que é cor é bom
E tem sabor, e tem som
E tem tato
Porque o que é cor é lindo
E está aí pra ser visto
E admirado.

Pedro Vargas

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Costela


Enquanto Deus brincava de deus
Lá pelos lados dos jardins do Éden,
Arrancou de mim uma costela
Para moldar, linda, ela.

Fez-se, então, a Fêmea.
Maravilha em forma feminina,
Delicada flor em vias de brotar,
Com um quê de sabor que apaixona
qualquer homem que aproxima
E até outras fêmeas
Que por ventura dêem de gostar.

Fez-se, então, mulher,
Perfeição aos olhos poetas.
Costela que me falta
E me completa.

Pedro Vargas

sábado, 17 de outubro de 2009

Carta Suicida

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Araribóia


Eram dois garotos bem novinhos discutindo sobre o Rio e Niterói:

- Dá pra passear de barca
-Aqui também!
- Dá pra andar na ponte
- Dããã! aqui também, ô mané!
- Mas daí pra cá tem que pagar pedágio
- Ué, mas se você vem você volta
- Mentira, se eu quiser volto de barca
- Mas volta de qualquer forma
- Mas uma coisa num tem nada a ver com a outra.
- É verdade. Quero ver me barrar agora: aqui tem Jesus! E aí? Hein?
- Aqui.... Aqui tem um índio!
- Grande coisa. Que que ese índio faz?
- Sei lá. Peraí que eu vo perguntar pra minha mãe. MANHÊÊÊÊ!!!!!!

Então o menino larga o fone e sua voz some. Após alguns instantes reaparece o garoto com a resposta na ponta da lingua, como se decorada.

- O índio Araribóia atravessou a Baía de Guanabara a nado partindo do Rio de Janeiro. Na outra margem fundou a cidade de Niterói.
- Que burro!!! ao invés de pegar a barca!!!
- Eu falei a mesma coisa pra minha mãe. Ela disse que não tinha barca ainda.
- Que estranho.
- Pois é

Alguns segundos de silencio se passaram.

- Mesmo assim! Grande coisa atravessar a baia de guanabara! O meu ANDAVA sobre a água!!!
- É, mas o meu fundou Niterói!!!
- Ué, o meu fundou o Rio!!!
- Mas o meu andava por aí peladão!!
- E o meu andava cheio de roupa!
- Que que isso tem de legal?

Do outro lado da linha o garoto parou, ficou pensando em silencio até chegar à sensata conclusão:

- É, você tem razão. Niterói é bem mais legal que o Rio.

Pedro Vargas

domingo, 20 de setembro de 2009

O Buraco

Buraco
Lindo buraco
Quentinho, escurinho, molhado

Como é bom esse buraco
Como eu quero ele pra mim
Meter, meter de novo
Enfiar até o ovo

Entre pernas
Entre falos
Está o buraco
Num vai e vem revolto
Num entra e sai danado

domingo, 13 de setembro de 2009

Chuvisco



Chovia, ali, uma chuva
Fina como agulha
Ele, então, deixou-se banhar
Com as gotículas de maravilha
Que caiam do céu sem reclamar
Lavou ali sua alma
E, de quebra,
Ainda pegou um resfriado


Pedro Vargas