quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Chuva Galega

Pois aqui é que mora a chuva
Pertinho de mim, colada no meu quengo
aborrecido pelas gotas
Gasto tempo dentro de casa
onde também chove
Chove o tempo todo
Chuva de lado
Chuvisco
Temporal
Pé d'água

Setembro choveu
Outubro também
Me perco nos dias que o Sol aparece
Mas logo vai embora
E eu, pobre carioca,
Calço sempre havaianas
Embora me irrite voltar de pé molhado pra casa

Enquanto transito a rua
A rua transmite mais sinais de chuva
O cheiro inconfundivel do asfalto molhado
Persegue meus sentidos

Aqui a chuva mora
E me beija um beijo doce
Com gosto de amora
E o tempo todo a chuva chora
Me obriga a ouvir seus lamentos
Há tempos nao vejo tanta água
Mágoa da chuva chorona

Queria eu um guarda-chuvas
Pra guardá-la num canto qualquer
Sem beijos, sem choro, sem nada
Guardá-la e trancá-la

Até ter que regar as plantas novamente

Pedro Vargas

Um comentário:

Wilson disse...

Os finais de suas poesias continuam sendo melhores que as minhas! são muito bons! Mandou muito bem nessa pedro!