domingo, 28 de março de 2010

Pétala

Disserto sobre alimentar-se de flores. É certo que não trazem consigo muitos valores nutritivos ao corpo. Mas flores, caros leitores, tem, em cada pétala, compactada poesia. Beleza sensitiva e sensível, que não nutre o corpo, mas faz um bem danado pra alma. Vejam, vocês, que certa vez comi um Lírio. Despetalei todinho e refoquei no alho, claro. Quando pus aquela magnífica poesia gastronômica no prato, parei para observá-lo. Sua beleza era tamanha, que não me aguentei nem um segundo. Dispensei, logo, o garfo e resolvi tatear aquilo tudo. Sabor estranho, que senti. Tinha um quê de Cravo. Forte, revolucionário. A cor era de orquídea, na sua exótica pétala cheia de nuances e tons, e semitons embasbacantes. Tinha jeito de rosa na textura vibrante, nos espinhos pérfuro-cortantes. Tinha cheiro de jasmim. Algo de suave que sente de longe quando passa certa brisa matinal. Aliás, de Lírio mesmo só tinha o nome. Ou será que nem isso?

Pedro Vargas

2 comentários:

Sylvia Araujo disse...

Boa maneira de se alimentar de poesia. Fato é que no estômago tomamo-lá só pra nós, e isso seria injusto, muitíssimo injusto.

Adorei o texto.

Beijomeupravocê

Anônimo disse...

belo belo belo.